Diário do Ex-Gordinho #12 — O Peso de Servir
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Resposabilidade de nutrir alguém e a própria confusão com a comida
Esses dias eu fiquei incomodado de verdade. Meus filhos estavam comendo mal. Não só na qualidade. Na quantidade também. Muito lanche. Muito "só mais um". Muito automático. E aquilo me bateu diferente. Porque, no fim das contas… A alimentação deles ainda é minha responsabilidade. E perceber que eu não estava conseguindo organizar isso direito me deixou frustrado como pai. Não pela estética. Nem por paranoia nutricional. Mas porque eu sei o quanto algumas relações com a comida começam cedo. E continuam depois. Muito depois. Ao mesmo tempo… Existe uma linha difícil de enxergar. Porque eu também não quero transformar comida em tensão. Não quero que eles cresçam com culpa. Com medo. Ou achando que comer virou um problema o tempo inteiro. E talvez essa seja uma das partes mais difíceis da paternidade: Entender que proteger não é controlar tudo. É orientar sem exagerar. É ensinar sem assustar. É perceber quando o cuidado começa a virar ansiedade. E eu acho que isso mexeu tanto comigo porque comida nunca foi só comida pra mim. Eu demonstro amor cozinhando — talvez seja o meu "eu te amo" mais sincero. Quando gosto de alguém, eu penso em comida. No prato favorito. Na sobremesa preferida. No café passado na hora. No lanche inesperado. E isso é bonito. Mas também me faz pensar. Porque, às vezes, a gente entrega afeto junto com excesso sem perceber. E talvez educar meus filhos sobre alimentação também esteja me obrigando a revisitar a minha própria relação com ela. Não pra transformar a mesa num laboratório. Mas pra entender que algumas coisas passam adiante mesmo quando a intenção é só amar. E talvez o equilíbrio esteja justamente aí: Nem transformar comida no centro de tudo. Nem tirar dela o carinho que ela também pode ter. Disciplina não é castigo. É proteção.
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Comentários
Postar um comentário