Diário do Ex-Gordinho #1 — O Ex Que Nunca Foi

Porque o problema nunca foi só o corpo — e porque talvez você também entenda isso


Eu pensei em começar esse blog falando do meu peso.
Ou com uma foto de antes e depois.
Ou até com uma frase motivacional daquelas bem bonitas.

Mas a verdade é outra: Eu não sou um ex-gordinho.

E calma — isso aqui não é um texto triste.
É um texto verdadeiro.

Porque o “gordinho” nunca foi só o corpo.
Ele sempre foi também o jeito de pensar, de sentir, de reagir.

E isso não desaparece quando a balança muda.

Eu fui uma criança gordinha.

Daquelas que todo mundo acha “fofinha”… até parar de ser.

Lá pelos 10, 11 anos, eu emagreci.
Fiquei magro. Magro mesmo.

Praticava esporte, corria, me mexia.
Se você olhasse pra mim naquela época, jamais diria que ali tinha um “ex-gordinho”.

Mas tinha.

Só que ninguém via.

Nem mesmo eu o percebia ali.

Porque o problema nunca foi só o peso.

Era a relação com a comida.
Era comer por tédio, por ansiedade, por recompensa.

Era aquele pensamento silencioso de que comida resolve mais do que deveria.

Só que enquanto o corpo respondia bem… tudo parecia sob controle.

Aí vieram os 16, 17 anos.

E junto com eles, duas coisas que andam muito bem acompanhadas:

Cerveja e alimentação ruim (em quantidade que deixaria qualquer 01 orgulhoso).

E pronto.

O corpo só fez o que a mente já vinha treinando há anos.

A obesidade não começou ali.

Ela só apareceu.

Você não “vira” obeso do nada.
Você vai construindo isso em silêncio.

No hábito.
No padrão.
No comportamento.

Hoje eu entendo uma coisa que muda tudo: Não existe ex-gordinho.

Existe alguém que aprende, todos os dias, a lidar com uma mente que ainda pensa como um. 

E não — isso não é uma sentença.

Mas também não é algo que se resolve com uma dieta de 30 dias.

Esse blog não é sobre antes e depois.

É sobre o durante.

Durante a vontade de comer sem fome.
Durante a negociação interna (“só hoje…”).
Durante as pequenas vitórias que ninguém vê.

E sim… eu vou falar sério aqui.

Mas eu também vou rir.

Porque se tem uma coisa que eu sempre gostei, além de cerveja e churrasco, é fazer graça com a vida (nos bons e nos maus momentos).

E talvez seja isso que me salvou mais vezes do que qualquer dieta.

Se você chegou até aqui, talvez você entenda.

Ou talvez esteja começando a entender agora.

De qualquer forma… fica.

Porque essa história não é sobre um ex-gordinho.

É sobre alguém que ainda está aprendendo.

Todo dia.

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