Ocorrência nº 003 — Abordagem no Caixa

Quando o problema começa antes mesmo de chegar em casa  Boa noite. Policial Roberto falando. Monza verde. Direção dura. Éh… a vida é dura… mas o volante do meu monza é mais. Fui acionado hoje para uma ocorrência preventiva. Local: fila de supermercado. Por fora, tudo normal. Carrinho cheio. Consciência… nem tanto. Iniciei a abordagem no momento do caixa. Item por item. Primeiro produto: Bolacha recheada. Perguntei: "Isso aqui é necessidade ou nostalgia?" O indivíduo evitou contato visual. Segundo item: Refrigerante. Perguntei: "Vai matar a sede… ou o processo?" Silêncio. Terceiro item: Doce em promoção. Clássico. "Leve 3, pague 2." Perguntei: "E o terceiro… é pra quem?" Resposta: "Pra mim também." Caso clássico. Seguindo a vistoria: Produtos ultraprocessados em quantidade suspeita. Frutas? Poucas. Legumes? Desaparecidos. Planejamento? Nenhum indício encontrado. Observação do agente: O problema não começa em casa. Começa aqui. No carrinh...

Sobre este ex gordinho

Sobre esse ex-gordinho

Esse não é um blog sobre dieta.
Também não é sobre “antes e depois”, fórmula milagrosa ou disciplina de ferro.
Se fosse só isso, provavelmente eu não teria chegado até aqui.

Esse é um espaço sobre uma coisa bem mais difícil de explicar:
comer sem estar com fome.
Ou melhor…
comer quando a fome não é de comida.

Durante muito tempo, eu fui me enganando ao acreditar que a comida não era o problema. Bastava eu fazer atividade física e tudo estaria resolvido. Depois de muito tempo, percebi que existia algo - que não sei definir.


Nunca foi só comida. Não se tratava (se trata) de necessidade fisiológica.
Era (é) ansiedade mal canalizada.
Cansaço.
Frustração.
Vontade de desligar a cabeça por alguns minutos.
E a comida sempre estava lá — fácil, rápida e eficiente.
O problema é que ela resolve na hora… e cobra muito caro depois!

Esse diário não nasce porque eu “venci”. Esse vício compulsivo não tem fim. É uma luta diária. Um processo com começo, meio e (...) meio outra vez.

Nasce porque eu cansei de fingir que estava tudo bem.
Aqui você vai encontrar relatos reais.
Dias bons.
Dias ruins.
Pensamentos que normalmente ficam só na cabeça de quem passa por isso.
Sem romantizar.
Sem discurso de superação pronto.
Sem perfeição.
Só um processo de quem vive essa realidade e quer mudá-la.

Se em algum momento você ler algo aqui e pensar
“sou eu”…
Então já valeu a pena.
(E se não for você, pelo menos agora você entende melhor alguém que é.)

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