Diário do Ex-Gordinho #8 — Confissão

Quando a comida deixa de ser escolha e começa a dominar o pensamento. Eu preciso admitir uma coisa. Eu tenho falhado. Não de vez em quando. Recorrentemente. Tenho pecado contra a minha saúde. E o mais curioso é que não começa na comida. Começa num pensamento. Longe. Quase imperceptível. Ele aparece pequeno. Disfarçado. Com aquelas frases que não enganam ninguém — mas servem pra justificar naquele momento. E eu deixo. Quando percebo, ele já está maior. Mais convincente. Começa a ocupar espaço. Tira o foco. Interrompe o raciocínio. Volta toda hora. Até que não é mais um pensamento. É uma necessidade. E aí eu cedo. Tenho comido a comida da dieta. E também outras. Hoje, por exemplo… Já comi uns cinco pães. E agora, enquanto escrevo isso, estou com vontade de comer mais um. E isso é o mais difícil de admitir. Porque não é falta de informação. Não é falta de plano. É falta de domínio naquele momento. E isso cansa. Nas últimas duas semanas, isso tem sido muito mais frequente. E eu comecei a p...

Diário do Ex-Gordinho #7 — O “Só Hoje” Que Nunca Vai Embora

Ele muda de forma, mas continua aparecendo.


Eu achei que o problema era o "só hoje".

Mas não era.

O problema é que ele nunca vai embora.

Ele só muda de roupa.


Antes era assim:

"Só hoje eu vou comer isso."

Depois virou:

"Só hoje eu mereço."

Aí evoluiu:

"Só hoje não vai fazer diferença."


E quando você começa a perceber…

ele já está mais sofisticado.


"Hoje foi puxado", "Eu estou precisando", "Depois eu compenso", "Hoje pra comemorar".


Parece mais racional.

Mais adulto.

Mais aceitável.

Até mais controlável.

Mas no fundo…

é o mesmo "só hoje".


Só que melhor argumentado.


E é aí que mora o perigo.

Porque quanto mais convincente ele fica,

menos você questiona.


E quando você não questiona,

você repete.

E quando repete, vira padrão.

E quando vira padrão…

você já sabe onde isso vai dar.


O curioso é que o "só hoje" nunca aparece sozinho.

Ele sempre vem acompanhado de um plano.

"Amanhã eu começo certo", "Semana que vem eu ajusto", "Depois eu compenso".


Só que tem um detalhe:

o amanhã dele nunca chega.

Porque quando chega…

ele vira outro "só hoje".


E o ciclo continua.


Hoje eu não tento mais eliminar o "só hoje".

Eu só tento reconhecer quando ele aparece.

Porque ele sempre aparece.


E talvez o jogo não seja vencer ele.

Mas parar de obedecer automaticamente.

Pelo menos, só hoje!

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