Diário do Ex-Gordinho #8 — Confissão

Quando a comida deixa de ser escolha e começa a dominar o pensamento. Eu preciso admitir uma coisa. Eu tenho falhado. Não de vez em quando. Recorrentemente. Tenho pecado contra a minha saúde. E o mais curioso é que não começa na comida. Começa num pensamento. Longe. Quase imperceptível. Ele aparece pequeno. Disfarçado. Com aquelas frases que não enganam ninguém — mas servem pra justificar naquele momento. E eu deixo. Quando percebo, ele já está maior. Mais convincente. Começa a ocupar espaço. Tira o foco. Interrompe o raciocínio. Volta toda hora. Até que não é mais um pensamento. É uma necessidade. E aí eu cedo. Tenho comido a comida da dieta. E também outras. Hoje, por exemplo… Já comi uns cinco pães. E agora, enquanto escrevo isso, estou com vontade de comer mais um. E isso é o mais difícil de admitir. Porque não é falta de informação. Não é falta de plano. É falta de domínio naquele momento. E isso cansa. Nas últimas duas semanas, isso tem sido muito mais frequente. E eu comecei a p...

Diário do Ex-Gordinho #5 — O Peso de Recomeçar

Recomeçar cansa mais do que continuar.


Tem uma coisa que sempre parece bonita,né? É o tal de recomeçar.

Segunda-feira. Mês novo. Ano novo. Tudo planejado. "Agora vai."

A sensação é boa. Dá até um certo alívio. Parece que recomeçar reinicia tudo — como se o passado pudesse ser apagado e a gente pudesse escrever uma história diferente do zero.

Mas tem um detalhe que quase ninguém fala:

Recomeçar cansa.

Porque recomeçar exige energia. E normalmente… a gente tenta recomeçar justamente quando está no fundo do poço.

Depois de exagerar. Depois de errar. Depois de se frustrar com a própria promessa.

E aí a gente cria um plano perfeito. Academia. Dieta. Água. Foco. Disciplina.

Dois dias. Às vezes três.

Não porque você é fraco. Mas porque você tentou sair do zero em velocidade máxima — sem combustível nenhum.

Enquanto isso… quem simplesmente continua, mesmo tropeçando, vai avançando. Devagar. Mas vai.

Sem grandes anúncios. Sem aquela energia do primeiro dia. Só repetindo o básico — mesmo quando não está com vontade.

E talvez seja isso que incomoda de verdade. Porque continuar não tem graça nenhuma. Não tem emoção. Não tem virada de chave. Não tem aquela sensação boa de recomeçar.

Mas funciona.

Hoje eu desconfio muito mais de quem vive anunciando recomeços do que de quem simplesmente não parou.

Porque no fim… Não é sobre começar de novo. É sobre não parar mais.

Menos bonito. Mas é o que move.

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