Diário do Ex-Gordinho #8 — Confissão

Quando a comida deixa de ser escolha e começa a dominar o pensamento. Eu preciso admitir uma coisa. Eu tenho falhado. Não de vez em quando. Recorrentemente. Tenho pecado contra a minha saúde. E o mais curioso é que não começa na comida. Começa num pensamento. Longe. Quase imperceptível. Ele aparece pequeno. Disfarçado. Com aquelas frases que não enganam ninguém — mas servem pra justificar naquele momento. E eu deixo. Quando percebo, ele já está maior. Mais convincente. Começa a ocupar espaço. Tira o foco. Interrompe o raciocínio. Volta toda hora. Até que não é mais um pensamento. É uma necessidade. E aí eu cedo. Tenho comido a comida da dieta. E também outras. Hoje, por exemplo… Já comi uns cinco pães. E agora, enquanto escrevo isso, estou com vontade de comer mais um. E isso é o mais difícil de admitir. Porque não é falta de informação. Não é falta de plano. É falta de domínio naquele momento. E isso cansa. Nas últimas duas semanas, isso tem sido muito mais frequente. E eu comecei a p...

Diário do Ex-Gordinho #4 — O Padrão Que Ninguém Vê

 Não é sobre um dia ruim. É sobre o que se repete em silêncio.



Ninguém engorda por causa de um dia.

Você não ganha peso por causa de um exagero isolado.

Nem perde por causa de um dia perfeito.

Então por que parece que tudo depende daquele dia?

Porque é mais fácil culpar o episódio do que encarar o padrão.

O episódio representa um pequeno deslize.

O padrão precisa ser entendido e alterado.

E isso dá muito trabalho.

Mostra o quanto ainda somos imaturos e despreparados.

E ninguém gosta de se sentir assim.

O problema nunca foi “aquele dia”.

Foi o que vinha antes dele.
E principalmente…o que vinha depois.

Era o:

“Já que comecei…”
“Agora já foi…”
“Semana que vem eu volto”

“Precisamos comemorar”

Era a sequência.

A repetição que se tornou hábito.

Porque um exagero isolado não constrói nada.

Mas a repetição dele…cons(des)trói tudo.

E o mais perigoso é que esse padrão é silencioso.

Ele não grita.
Não chama atenção.
Não parece urgente.

Ele só acontece.

De novo.
E de novo.
E de novo.

Até o dia em que o resultado aparece ... e parece que foi “do nada”.

Mas não foi.

Foi construído vagarosamente.

E se alguém investigasse a fundo, encontraria um histórico bem organizado desses episódios.

Mudar não é sobre acertar um dia.

É sobre interromper um padrão.

E isso não acontece com motivação.

Acontece com percepção.

Porque quando você começa a enxergar o padrão…

Fica muito mais difícil fingir que não vê.

E talvez seja exatamente aí que a mudança começa de verdade.

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