Diário do Ex-Gordinho #2 — Quando Eu Ainda Achava Que Era Só Comida

 O dia em que percebi que o problema não era o prato — era o padrão



Por muito tempo, eu achei que o meu problema era simples:

Eu comia errado.

Se eu ajustasse a comida… tudo se resolveria.

Menos besteira.
Mais disciplina.
Talvez uma dieta aqui, outra ali.

Resolvido.

Ou pelo menos era isso que eu acreditava.

E eu ainda tinha vinte e poucos anos.

Meu corpo respondia bem e havia certo resultado positivo.

E pra comemorar....já sabem, né?

 

O problema é que tinha dias em que eu comia “certo”.

E mesmo assim… alguma coisa não batia.

Porque não era só sobre o que eu comia.

Era sobre quando.
Era sobre a razão.
Era sobre o que estava acontecendo antes.

Era porque estar comendo.

Eu comecei a perceber um padrão.

E não foi num momento bonito de reflexão, não.

Foi num daqueles dias comuns, meio bagunçados,

em que você come sem nem perceber direito.

 

Eu não estava com fome.

Mas estava cansado.

Eu não precisava comer.

Mas queria dar uma pausa.

Eu não queria comida.

Eu queria um alívio rápido.

E foi aí que começou a ficar desconfortável.

Porque quando você percebe isso…
fica difícil fingir que é só falta de dieta.

A comida não era o problema.

Ela era a solução que eu aprendi a usar.

E funcionava.

Funcionava rápido.
Funcionava fácil.
Funcionava sempre.

Até parar de funcionar.

Ou pior: Até começar a cobrar.

 

Porque o alívio vinha…

Mas junto vinha culpa.
Vinha frustração.
Vinha aquela sensação de “de novo não”.

E aí vinha a promessa clássica:

“Amanhã eu começo certo.”

(Spoiler: o amanhã sempre chegava com novas negociações.)

Se existisse algum tipo de fiscalização pra esse tipo de coisa,
eu provavelmente já teria sido abordado algumas vezes.

Mas como não tem…A gente vai levando.

Até perceber que está repetindo o mesmo padrão
com nomes diferentes.

Hoje eu entendo que não era sobre força de vontade.

Era sobre consciência.

Porque enquanto eu achava que era só comida, eu tentava resolver no prato.

E era bom nisso. Era não, ainda sou.

Mas quando eu comecei a entender que era comportamento…A conversa mudou.

Não ficou mais fácil.

Mas ficou mais claro.

E talvez esse seja o primeiro passo que realmente importa:

Parar de simplificar um problema que é mais profundo do que parece.

 

Se você já sentiu isso, você sabe.

E se ainda não percebeu…

Talvez esteja mais perto do que imagina.

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