Diário do Ex-Gordinho #13 — A Negociação
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Percebi que as minhas recaídas começaram com uma conversa.
Esses dias eu estava lendo As 48 Leis do Poder.
Em uma das passagens, o autor diz que nunca se deve negociar com um inimigo.
Ele usa uma imagem forte.
Diz que uma ameaça deixada pela metade é como uma víbora.
Ela pode parecer controlada.
Mas continua ali.
Esperando a oportunidade certa.
Fechei o livro.
E fiquei pensando.
Não na víbora.
Em mim.
Porque eu percebi que quase todas as minhas recaídas começaram exatamente assim:
Com uma negociação.
Nunca foi:
"Hoje eu vou abandonar tudo."
Foi:
"Hoje pode."
"Você merece."
"Foi uma semana difícil."
"Só essa vez."
"Só uma cerveja."
"Amanhã você compensa."
É curioso.
Porque, no momento em que essas frases aparecem...
Elas parecem razoáveis.
Quase inteligentes.
Elas nunca chegam gritando.
Chegam educadas.
Com bons argumentos.
E talvez seja exatamente por isso que são tão perigosas.
Percebi também que essas conversas raramente aparecem quando estou desorganizado.
Elas aparecem quando tudo começa a dar certo.
Quando o peso começa a baixar.
Quando o cartão de crédito finalmente respira.
Quando a rotina começa a entrar no lugar.
É como se uma parte de mim dissesse:
"Pronto. Agora já pode relaxar."
Mas a experiência tem mostrado outra coisa.
O resultado ainda não estava consolidado.
Eu apenas tinha chegado perto dele.
E foi justamente ali...
Que comecei a negociar.
Hoje, os grandes erros já não me preocupam tanto.
Eles são fáceis de enxergar.
O que realmente muda meu caminho são as pequenas conversas.
Porque nenhuma grande recaída começou grande.
Ela começou pequena.
Quase simpática.
Entrou pela porta da frente.
Sentou na mesa.
E me convenceu de que daquela vez seria diferente.
No fim...
Talvez o problema nunca tenha sido a comida.
Talvez tenha sido acreditar que eu conseguiria negociar com ela...
...e sair ganhando.
Disciplina não é castigo.
É proteção.
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