Diário do Ex-Gordinho #8 — Confissão

Quando a comida deixa de ser escolha e começa a dominar o pensamento. Eu preciso admitir uma coisa. Eu tenho falhado. Não de vez em quando. Recorrentemente. Tenho pecado contra a minha saúde. E o mais curioso é que não começa na comida. Começa num pensamento. Longe. Quase imperceptível. Ele aparece pequeno. Disfarçado. Com aquelas frases que não enganam ninguém — mas servem pra justificar naquele momento. E eu deixo. Quando percebo, ele já está maior. Mais convincente. Começa a ocupar espaço. Tira o foco. Interrompe o raciocínio. Volta toda hora. Até que não é mais um pensamento. É uma necessidade. E aí eu cedo. Tenho comido a comida da dieta. E também outras. Hoje, por exemplo… Já comi uns cinco pães. E agora, enquanto escrevo isso, estou com vontade de comer mais um. E isso é o mais difícil de admitir. Porque não é falta de informação. Não é falta de plano. É falta de domínio naquele momento. E isso cansa. Nas últimas duas semanas, isso tem sido muito mais frequente. E eu comecei a p...

Diário do Ex-Gordinho #6 — O Dia em Que Eu Fui no Banheiro… Pra Voltar a Comer

 Nem sempre é fome. Às vezes é só exagero bem organizado



Teve um dia que eu fui numa churrascaria pra comemorar o casamento de um amigo.

Ambiente bom. Carne boa. Amigos reunidos.

O cenário perfeito pra tomar decisões questionáveis.

 

E eu tomei.

 

Comi bem.

Depois comi mais um pouco.

Depois veio aquele pensamento: "Agora já foi…"

 

E continuei.

 

Chegou um momento em que o corpo já tinha dado o recado com todas as letras:

"Chega." 

Mas a mente estava em modo rodízio. 

"Só mais esse corte." "Agora vem aquele melhor." "Não posso perder." "Desce mais uma pra acompanhar."

 

Até que aconteceu.

O tanque encheu.

Eu precisei ir ao banheiro. 

Até aí, tudo bem. Acontece.

 

O problema foi o que aconteceu depois.

 

Eu voltei.

E, como o espaço estava disponível… voltei a comer também. 

Como se nada tivesse acontecido.

Como se o corpo não tivesse acabado de pedir socorro em tempo real.

 

E ali ficou claro, sem que eu precisasse pensar muito:

Aquilo não era fome.

Era comportamento.

 

"Já que estou aqui…" "Já paguei mesmo…" "Agora vai até o final."

 

E o mais curioso?

Nem estava mais gostoso. 

Mas eu continuava. 

Porque parar exigia mais consciência do que simplesmente não parar.

 

Hoje eu lembro disso e acho graça.

Mas na época era só mais uma terça-feira normal.

 

E talvez esse seja o ponto mais assustador:

quando o exagero vira rotina, 

você nem percebe mais que passou do limite.

 

Acha que foi um dia no rodízio.

Mas era todo dia.

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