Diário do Ex-Gordinho #8 — Confissão

Quando a comida deixa de ser escolha e começa a dominar o pensamento. Eu preciso admitir uma coisa. Eu tenho falhado. Não de vez em quando. Recorrentemente. Tenho pecado contra a minha saúde. E o mais curioso é que não começa na comida. Começa num pensamento. Longe. Quase imperceptível. Ele aparece pequeno. Disfarçado. Com aquelas frases que não enganam ninguém — mas servem pra justificar naquele momento. E eu deixo. Quando percebo, ele já está maior. Mais convincente. Começa a ocupar espaço. Tira o foco. Interrompe o raciocínio. Volta toda hora. Até que não é mais um pensamento. É uma necessidade. E aí eu cedo. Tenho comido a comida da dieta. E também outras. Hoje, por exemplo… Já comi uns cinco pães. E agora, enquanto escrevo isso, estou com vontade de comer mais um. E isso é o mais difícil de admitir. Porque não é falta de informação. Não é falta de plano. É falta de domínio naquele momento. E isso cansa. Nas últimas duas semanas, isso tem sido muito mais frequente. E eu comecei a p...

Diário do Ex-Gordinho #3 — Não Foi Falta de Controle

 Foi excesso de negociação



Por muito tempo eu disse pra mim mesmo:

“Eu perdi o controle.”

Mas isso não era verdade.

Eu não perdia o controle.

Eu fazia algo bem pior.

Eu negociava com ele.

Era sempre assim:

“Só hoje.”
“Só mais um pouco.”
“Amanhã eu faço certo.”
“Eu mereço.”

E o mais curioso?

Eu sempre ganhava a discussão.

Porque eu sabia exatamente o que falar.

Sabia os argumentos certos.
Sabia o momento certo.
Sabia como me convencer. Até porque não havia muita resistência.

Não era falta de controle.

Era habilidade.

Habilidade em justificar.
Habilidade em adiar.
Habilidade em transformar vontade em necessidade.

E enquanto eu chamava isso de “perder o controle”…

Eu me livrava da responsabilidade.

Porque perder o controle parece algo que acontece com você.

Mas negociar…

É algo que você faz de forma intencional.

E se existisse uma abordagem pra esse tipo de negociação, eu já teria sido parado algumas vezes.

A virada, pra mim, começou quando eu parei de falar:

“Eu perdi o controle.”

E comecei a admitir:

“Eu escolhi.”

Esse senso de responsabilização não facilita as coisas.

Não é confortável.

Mas é honesto.

E, pelo menos pra mim, foi aí que alguma coisa começou a mudar.

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